A neurociência já provou que o nosso cérebro tem uma teimosa tendência a escolher o negativo, a catástrofe, a desgraça e o infortúnio. A explicação é simples: era preciso que os nossos ancestrais estivessem sempre atentos, esperando a qualquer hora o ataque da fera ou evento da natureza. Para sobreviver, o cérebro escolhia o pior cenário e, assim, nos deixava preparados. É por isso que substituir a negatividade por positividade custa tanto trabalho e energia: é uma escolha consciente!

 O ser humano, paradoxalmente, vive uma dualidade interna quando se trata de mudança. Por um lado a venera, a deseja e a reconhece em cada avanço da ciência, em cada ciclo de vida, em cada troca de emprego: a mudança é recebida como impulso positivo para a construção do caminho. Por outro, lhe guarda temor e desconfiança, prefere ignorá-la em troca do conforto.

Mas ela, a mudança, é inevitável. Basta um olhar no espelho para percebê-la viva, latente, onipresente. Algumas mudanças são sutis e, de alguma maneira, vamos lidando com elas do jeito que a gente pode, com os recursos que vamos acumulando na nossa estrada. Outras, nos pegam desprevenidos e, assustados, lhe damos as costas num primeiro momento, para nos sentirmos protegidos e fazer de conta que ela vai passar sem nos perceber. É quando nosso cérebro nos engana e opta pela sua negatividade natural (“a mudança só pode me trazer problemas”, pensamos).

O ser humano possui a maior condição de adaptabilidade da natureza toda e uma enorme capacidade de criar soluções inéditas para cada situação. Por isso, é capaz de enfrentar a mudança com preparo emocional e espírito inovador. Só que isso custa! É necessário esforço, energia, empenho. O mesmo esforço que a borboleta faz para se livrar do casulo e voar.

Estamos atravessando um período sem precedentes e muitos cientistas sociais já ousam dizer que a humanidade nunca mais será a mesma. Vamos aproveitar esta mudança com toda nossa capacidade de positividade e reescrever nosso futuro com mais justiça e solidariedade.